domingo, 16 de maio de 2010

Serra, Dilma e Marina estarão frente a frente na quarta para responder a questionamentos de prefeitos

Alana Rizzo

Publicação: 16/05/2010 10:14
No início do mês, os presidenciáveis participaram de um debate em Belo Horizonte: reforma tributária em pauta


Os principais pré-candidatos ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) voltam a se encontrar na quarta-feira. Os três participam da 13ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, organizada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM). O debate, que tem início às 9h, será de três horas e cada um terá cerca de uma hora para responder perguntas formuladas pelos prefeitos. Entre os temas previstos para o debate estão o financiamento da saúde pública, a divisão dos lucros do Pré-Sal e o pacto federativo. Assim como aconteceu no primeiro            
encontro entre os três, em Belo Horizonte, não haverá discussão
entre os candidatos.

No mesmo dia, os prefeitos vão discutir com as bancadas parlamentares a agenda legislativa e os projetos de interesse dos municípios que tramitam no Congresso. No ano passado, a marcha causou polêmica e chegou a ser questionada pelo PSDB na Justiça Eleitoral por conta da participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff. O pedido foi negado por falta de provas.

Marina, Dilma e Serra participaram no início do mês do 27º Congresso Mineiro de Municípios. O debate eleitoral durou cerca de duas horas. Os três concordaram quanto à necessidade de uma reforma tributária. Em 24 de maio, os pré-candidatos voltam a se encontrar no Congresso da Indústria, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O debate está marcado para começar às 15h, logo depois de uma fala do presidente da federação, Paulo Skaf, que é pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PSB.

Verde

O Partido Verde lança hoje a pré-candidatura da senadora Marina Silva (AC) ao Palácio do Planalto, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A pré-convenção começa às 11h no Riosampa. Estão confirmadas a participação do pré-candidato ao governo do Rio, Fernando Gabeira, o coordenador da campanha presidencial, Alfredo Sirkis, e a pré-candidata ao Senado, Aspásia Camargo. Marina ainda tenta convencer o empresário Guilherme Leal, presidente da Natura, a assumir a vaga de vice em sua chapa.
Fonte: Correio Brasiliense

PV lança Marina à Presidência e anuncia empresário para vice

Reuters/Brasil Online


SÃO PAULO (Reuters) - Em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, a senadora Marina Silva teve sua pré-candidatura à Presidência da República lançada neste domingo pelo Partido Verde (PV), que confirmou o empresário Guilherme Leal, sócio da empresa de cosméticos Natura, como vice na chapa.

Leal se filiou no ano passado ao PV e desde então vem acompanhando a campanha do partido e participando dos compromissos da pré-candidata.

O PV escolheu Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, região carente do Rio de Janeiro, para o lançamento. O local contrasta com os eventos das pré-candidaturas de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), ambos ocorridos em Brasília.

Gilberto Gil, cantor e compositor também do PV, foi ao evento no Rio e adaptou a letra da música "Anda com Fé" ao momento, trocando a palavra fé por Marina.

Ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula (2003-2008), ela obteve repercussão internacional por sua postura contrária ao desmatamento da região amazônica e leva para a corrida presidencial a agenda verde.

Marina deixou a pasta do Meio Ambiente após se ver pressionada a dar o aval ambiental a projetos de infraestrutura do Executivo. Também se sentiu desprestigiada com a entrega de planos, como o da Amazônia Sustentável, a outro ministério.

Sua entrada na corrida presidencial, anunciada em 2009, incentivou o governo Lula a tomar medidas consideradas "ambientalistas".

Entre essas ações, prorrogou a redução de IPI para eletrodomésticos da linha branca para aqueles que consomem menos energia elétrica. Também estendeu a prorrogação do incentivo fiscal para veículos menos poluentes.

Ao mesmo tempo, Lula enviou em dezembro à Conferência do Clima, onde foram apresentadas as metas de redução de gases poluentes, a então ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff.

Mesmo tendo participado do governo Lula, Marina tem criticado iniciativas como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Para ela, o programa voltado à infraestrutra da gestão Lula tem visão equivocada e as obras não se preocupam devidamente com o impacto social e ambiental.

Já quando o assunto é principal programa social do país, o Bolsa Família, a senadora defende seu aperfeiçoamento e sugere uma "terceira geração" que inclua profissionalização.

Nascida em um seringal no Acre, Marina, de 52 anos, alfabetizou-se apenas aos 16 anos. Seu primeiro emprego foi de empregada doméstica. Aos 26 anos formou-se em História pela Universidade Federal do Acre. Pelas condições do local onde viveu, contraiu doenças como malária e hepatite.
Religiosa, iniciou sua atividade política e social por meio da Igreja Católica, ingressando no PT nos anos 1980. Foi vereadora e deputada federal antes de obter a vaga no Senado. Depois de assumir a candidatura à Presidência, no passado, ela deixou o PT para ingressar no PV. Trocou também o catolicismo pela Assembleia de Deus.
Também foram lançadas neste domingo as pré-candidaturas do deputado federal Fernando Gabeira ao governo do Rio de Janeiro e da vereadora Aspásia Camargo ao Senado.

Fonte: O GLOBO

Mauro Mendes é eleito vice-presidente da CNI

Redação 24 Horas News - 13/05/2010 - 18h01


O presidente licenciado do Sistema Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Sistema Fiemt), Mauro Mendes, foi eleito vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A eleição ocorreu na tarde desta quarta-feira (12), em Brasília e contou com a participação das 27 federações existentes nos 26 Estados e Distrito Federal. Com essa eleição, Mato Grosso passa a ter no cenário nacional um representante dentro da CNI, para dar voz as necessidades do setor industrial do Estado. No total são quase 100 mil empresas filiadas ao Sistema Indústria em todo o país.


A chapa em que Mauro Mendes concorreu foi eleita por unanimidade e terá uma gestão de quatro anos. A diretoria eleita é composta por 28 integrantes e tem como presidente o empresário mineiro Robson Braga de Andrade. O consenso na eleição demonstra a união e confiança do setor industrial em prol de um projeto de gestão consistente no crescimento e desenvolvimento sustentável da economia, com melhoria na logística e infraestrutura e políticas públicas que possam oportunizar, como reflexo, benefícios para toda a sociedade.

Mauro Mendes terá papel fundamental como representante de Mato Grosso. Ele irá atuar para garantir a participação do setor na formulação de políticas públicas nacionais que garantam um ambiente saudável para o desenvolvimento do setor industrial. A CNI além de representar todo a indústria do país, também envolve-se em questões internacionais, de meio ambiente, assuntos relacionados às micro e pequenas empresas, trabalho e todos os aspectos ligados a economia do país.

Outro ponto de destaque de atuação da CNI é quanto a divulgação constante de pesquisas, estudos e indicadores fornecendo subsídios para a tomada de decisões por parte dos empresários.

Fonte: 24 Horas News

sábado, 15 de maio de 2010

Marina se lança com ofensiva na periferia

No lançamento de sua pré-candidatura, ex-senadora pode também anunciar Guilherme Leal, presidente da Natura, como vice



Alfredo Junqueira, Wilson Tosta e Luciana Nunes Leal, do Estado de S.Paulo


NOVA IGUAÇU - Mais do que o lançamento da pré-candidatura à Presidência da senadora Marina Silva (PV-AC), o evento que deve reunir neste domingo, 16, 3 mil pessoas numa casa de show em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, ,deve ser o início de ofensiva do partido nas áreas metropolitanas das grandes cidades do País.
Marina dará menos espaço a temas tradicionais de seu discurso e investirá em assuntos que afligem a população das periferias: saneamento e transporte.
No evento, o tom do discurso da senadora deve ser o da agregação de diferentes setores em torno de sua bandeira. "A ideia básica é de trabalhar no sentido de que a sociedade brasileira pode se juntar pelo Brasil que queremos", revelou na sexta-feira.

Há uma grande expectativa de que o encontro marque a oficialização do nome de Guilherme Leal, diretor-presidente da Natura, no posto de vice na chapa. "O partido está unânime em torno do Leal e sente que antecipar o anúncio pode ser um trunfo da candidatura de Marina", disse o coordenador da pré-campanha da senadora, o presidente do PV do Rio, Alfredo Sirkis. Ela desconversa. "Meu convite ao Guilherme foi enfático. E o anúncio do vice vai nos favorecer agora ou depois , pois não fizemos uma aliança pragmática, um cálculo puramente eleitoral."
O encontro ainda vai marcar a oficialização da candidatura do deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) ao governo do Rio de Janeiro. Trata-se da grande aposta do PV para as eleições estaduais. Depois do Acre, o Rio é o Estado em que Marina deverá ter o maior porcentual de votos.
Os próximos eventos da candidata ocorrerão nas regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte e Recife. Para Sirkis, o período entre os lançamentos das candidaturas e o início do horário eleitoral gratuito na televisão é o momento para fazer o nome da senadora decolar. "É um janelão de oportunidade, um período de equidade entre as candidaturas. A coisa complica com o início da campanha da TV, pois temos muito menos tempo que nossos adversários."

Sirkis acredita que, nas periferias, a candidata tem potencial explosivo de crescimento. "Ali, há um número elevado de eleitores que estão fora da política. Essas pessoas se apaixonam pela Marina. As mulheres pobres se identificam com sua história."

Gabeira também aposta na periferia. Depois de perder a eleição para prefeito da capital, em 2008, com votação concentrada na classe média da zona sul, ele quer reforçar sua presença junto aos mais pobres na disputa pelo Palácio Guanabara. "Estou focando a grande periferia: Baixada (Fluminense), São Gonçalo e algumas cidades", diz o deputado, que defende que Marina também mire as periferias e adote como bandeira o que chamou de "grande questão ambiental, que não interessa a estrangeiros, mas a brasileiros": o saneamento básico. "É o compromisso de uma geração de políticos", diz.

Entre de título honorário à Marina Silva

Postado em 14/05/2010 por Equipe Marina

Categoria(s): Eco

Discurso de deputado estadual Paulo Davim feito em Natal (RN), dia 11 de maio, durante a entrega do título de cidadã natalense para Marina Silva.

Entre de título honorário à Marina Silva

Hoje vivo um momento singular como cidadão e como político. E não poderia ser diferente: pela ocasião e, sobretudo, por quem essa Casa Legislativa homenageia. Aliás, tenho sérias dúvidas de quem está sendo homenageado, se é a Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima ou o povo potiguar, que adota exultante, esta brasileira, exemplar e inspiradora.

Se a mim fosse solicitado apontar um exemplo do nosso povo, lançaria mão das inestimáveis observações antropológicas do saudoso professor Darcy Ribeiro, e concluiria que este exemplo se personifica na pessoa da brilhante senadora Marina Silva.
Nascida em uma “colocação” – chamada Breu Velho, no Seringal Bagaço, a 70 quilômetros do Centro de Rio Branco, capital do Acre; segunda filha mais velha dos 11 filhos do seringueiro Pedro Augusto e Maria Augusta da Silva. E como todos sabemos, teve uma infância difícil. Como milhares de jovens conviveu com a fome; como milhares de jovens, conviveu com a doença; como milhares de jovens, viveu na escuridão do analfabetismo até a adolescência e, como milhares de jovens, também sonhou. Porém, como poucos, fez do seu sonho a máquina de propulsão de vida. E fez da sua vida um exemplo para milhares.
Desde sempre, abraçou a floresta como se sua casa fosse. E disse ao mundo da importância da sua preservação. Superando as dificuldades e seus próprios limites, Marina Silva em poucos anos saiu do analfabetismo para os bancos da Universidade Federal do Acre, onde graduou-se em História. E mais recentemente pós-graduou-se em Psicopedagogia.
Começou sua trajetória política em 1984, quando fundou a Central Única dos Trabalhadores (CUT) ao lado do lendário Chico Mendes. Mas sua vocação política foi despertada ainda na militância estudantil, se estendendo nas lutas sindicais e não mais parou, passando a conquistar o reconhecimento e a confiança das pessoas. Em 1988 foi eleita a vereadora mais votada da Câmara Municipal de Rio Branco, para depois ser consagrada da mesma forma, a deputada estadual mais votada no Acre, em 1990. Já no final do primeiro ano daquele mandato começou um longo período de sofrimento e instabilidade com sua saúde, que se agravou, seqüela dos tempos dos seringais – numa época em que foi contaminada por metais pesados. Contudo, a enfermidade não arrefeceu seu espírito público e idealista e, mesmo debilitada foi eleita a senadora mais votada do Acre – e a mais jovem do Brasil – em 1994. Como todos podemos ver, a força vital dessa mulher é encantadora e capaz de superar os mais desafiadores obstáculos.
Ao assumir o cargo de ministra do Meio Ambiente, em 2003, deixou claro o compromisso inquebrantável com o meio ambiente, com o desenvolvimento sustentável, o respeito aos povos indígenas, às áreas de conservação e preservação e a biodiversidade. Tornando-os marcas indeléveis na sua gestão.
Falar em Marina Silva é caminhar sobre senso comum. Haja vista o reconhecimento nacional e internacional dessa mulher. Cito, por exemplo: o jornal britânico The Gardian, que considerou Marina Silva como uma das 50 pessoas mais influentes com condições para ajudar a salvar o planeta; das Nações Unidas (ONU) que recebeu em 2007 o “Champions of the Earth”, maior prêmio da área ambiental daquele órgão internacional. Como senadora também recebeu das mãos do príncipe Philip da Inglaterra, em Londres, a Medalha Dug de Edimburgo, em reconhecimento à sua trajetória e luta em defesa da Amazônia brasileira; no ano passado, recebeu ou Prêmio Sophie por seu trabalho em Defesa do Meio Ambiente, oferecido pela Fundação Norueguesa de mesmo nome.
Sabe, senadora, o nosso povo tem uma tradição de reconhecer os valores da mulher. O Rio Grande do Norte é berço histórico dessas conquistas. Quase sempre muito árduas. Cito a índia guerreira de espírito libertário, Clara Camarão, companheira do índio Poti; como não registrar também o desejo democrático de Celina Guimarães, com o primeiro voto feminino do Brasil, em 1927; a coragem e o desprendimento de Alzira Soriano, primeira prefeita eleita em 1928, no município de Lajes. Portanto, assente-se a esta galeria de grandes mulheres potiguares.
Marina Silva, está justificada a minha dúvida de quem estaria sendo homenageado na tarde de hoje? Diria até que não tenho mais dúvidas. Estou convencido que a homenagem e a honraria recebemos nós potiguares com sua honrosa presença, com co-cidadã.
Senadora, a sua história e o seu exemplo, são grandes demais para se restringirem a uma região. Não queremos que vossa excelência seja apenas a “Dama da Floresta”.Queremos que também seja a Dama do Serrado, a Dama da Caatinga, a Dama dos Pampas, a Dama do Litoral e, se Deus quiser a Dama do Planalto.
Que Deus a abençoe. E continue deixando nos seus caminhos as sementes a serem colhidas pela posteridade.

Muito obrigado.

Veja a história de Marina Silva

Pré-candidata ingressou na carreira política em 1984 quando ocupou o cargo de vice-coordenadora da CUT no Acre


 
Jair Stangler, do estadao.com.br


SÃO PAULO - Marina da Silva nasceu Maria Osmarina Silva de Souza, em 8 de fevereiro de 1958, uma das nove filhas dentre 11 filhos que tiveram o seringueiro Pedro Augusto da Silva e sua mulher, Maria Augusta da Silva. Seus parentes não conseguiam falar Osmarina - diziam Ormarina - e, num acordo informal, passaram a chamá-la de Marina.
Em 1967, a família deixou o seringal de Bagaço, perto de Rio Branco, no Acre, onde Marina nasceu, para ir a Manaus abrir uma taberna, que durou pouco tempo. Apenas cinco meses depois, eles foram a Santa Maria no Pará, onde a situação era ainda pior. Em 1969, a família voltou para o seringal - com a passagem paga pelo ex-patrão do pai de Marina. Aos 10 anos, Marina começou a trabalhar no seringal para pagar a dívida que a família contraiu com o patrão.
Marina perdeu a mãe aos 14 anos. Na mesma época, contraiu hepatite e perdeu duas irmãs, uma com sarampo e outra com malária. Ao longo de sua vida, Marina teve diversos problemas de saúde, como malária, contaminação por mercúrio e leishmaniose. Em 1974, mudou-se para Rio Branco, alfabetizando-se aos 16 anos. Seu primeiro emprego foi como empregada doméstica. Seu plano inicial era ser freira, mas esse projeto acabou sendo abandonado. Decidiu estudar História, formando-se em 1984, aos 26 anos.
Conheceu seu primeiro marido em 1980. Com ele teve dois filhos - Shalon e Danilo. O casamento terminou em 1985. Em 1986 conheceu Fábio Vaz de Lima, técnico agrícola que assessorava os seringueiros de Xapuri. Desse casamento, que dura até hoje, Marina teve Moara e Maira.
Iniciou sua carreira política em 1984, como vice-coordenadora da CUT no Acre. O seringueiro e ambientalista Chico Mendes era o presidente da entidade. Filiou-se ao PT em 1985. Em 1986, concorreu à deputada federal em dobradinha com Chico Mendes, que disputou vaga na Assembleia Legislativa do Acre. Ambos acabaram derrotados. Em 1988 foi eleita a vereadora mais votada de Rio Branco. No mesmo ano, Chico Mendes foi assassinado.
Em 1990, foi eleita deputada estadual, novamente a mais votada. Em 1994, foi eleita senadora, aos 36 anos, tendo sido reeleita em 2002. Foi nomeada ministra do Meio Ambiente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 1º de janeiro de 2003.
A atuação de Dilma pela preservação do meio ambiente lhe rendeu reconhecimento internacional, tendo recebido uma série de prêmios em todo mundo - em 2007, por exemplo, recebeu o prêmio "Champions of the Earth" da ONU por sua luta para proteger a floresta amazônica - concedido a seis outras personalidades, entre elas o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore. No mesmo ano, o jornal britânico 'The Guardian' apontou a ex-ministra como uma das 50 pessoas que podem ajudar a salvar o mundo.
Marina anunciou sua saída do Ministério do Meio Ambiente em 13 de maio de 2008, após perder disputa com o também ministro Roberto Mangabeira Unger, titular da pasta de Assuntos Estratégicos, escolhido por Lula para coordenar o Plano Amazônia Sustentável.
No ministério, perdeu a luta contra os transgênicos, contra a usina nuclear de Angra 3 e não conseguiu aprovar uma Comissão Técnica nacional de Biossegurança (CNTBio) mais ambientalista. Mas a própria Marina lista outras vitórias obtidas durante o período em que foi ministra: proteção aos peixes do Rio Madeira, redução em 8 vezes do tamanho do lago do Rio Madeira, turbinas do tipo bulbo na usina do mesmo rio (que não têm necessidade de inundar áreas). Ela diz também que conseguiu convencer o então ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, a reduzir a vazão de água na transposição do São Francisco.
Evangélica, envolveu-se em polêmica ao defender o direito das escolas adventistas ensinarem o criacionismo - como ela própria esclareceu depois, desde que também se ensinasse o evolucionismo. Segundo ela, 'no espaço da fé, a ciência tem todo o acolhimento. Eu gostaria que a fé tivesse o mesmo acolhimento da ciência'. Posicionou-se contra as pesquisas com células-tronco e pessoalmente, é contra a descriminalização do aborto, embora admita que esta seja uma questão a ser debatida por toda a sociedade.
No dia 19 de agosto de 2009, Marina deixou o PT para se tornar pré-candidata do Partido Verde à Presidência da República. A filiação ao PV se deu no dia 31 de agosto.

Fonte: O ESTADÃO

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Semana das Mulheres no Poder

Advogada nomeada nos EUA

Elena Kagan, advogada-geral da União, foi nomeada pelo presidente dos EUA Barack Obama para juíza da Suprema Corte. A escolhida tem 50 anos e é ex-diretora da escola de Direito de Harvard. O nome de Elena Kagan para a Suprema Corte é a segunda indicação de Obama, que, no ano passado, também indicou uma mulher, a hispânica Sonia Sotomayor. A confirmação do nome da nova juíza precisa ser aprovada pelo Senado e, caso isso aconteça, será a primeira vez na história que a corte contará com três juízas mulheres.

Mulheres na presidência de empresas

Pesquisa realizada pelo Instituto Sophia Mind traçou o perfil das mulheres no mercado de trabalho. Segundo o estudo, 37% das mulheres visam chegar à presidência da empresa onde trabalham atualmente. 71% afirmaram se planejar para atingir objetivos profissionais, e as responsabilidades familiares têm afetado pouco estas metas. 81% das casadas não alteraram os seus planos de carreira após o casamento, e 63% das mães não mudaram os seus planos profissionais após o nascimento dos filhos, embora 24% acreditem que, com filhos, fica mais difícil alcançar as metas. 12% delas aceitariam uma transferência para o exterior.

 Pacto contra a Violência

O estado do Mato Grosso é o 24º a aderir ao Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. O Pacto é uma iniciativa do governo federal com objetivo de prevenir e enfrentar todas as formas de violência contra as mulheres. Consiste no desenvolvimento de um conjunto de ações, direcionadas, prioritariamente, às mulheres rurais, negras e indígenas em situação de violência, a serem executadas até 2011.


Visita de relatora nas Nações Unidas

A Relatora Especial das Nações Unidas sobre Formas Contemporâneas de Escravidão, Gulnara Shahinian, visitará o Brasil entre os dias 17 e 28/05. Shahinian vem ao país a convite do Governo, visitará Brasília, São Paulo, Cuiabá e Açailândia, onde encontrará com autoridades do Governo, membros do Poder Judiciário, representantes de organizações não-governamentais, membros da comunidade, acadêmicos e outros profissionais que trabalham com o tema. Em setembro, a relatora apresentará um relatório sobre sua viagem ao Brasil ao Conselho de Direitos Humanos em Genebra (Suíça). Gulnara Shahinian foi nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU como Relatora Especial sobre Formas Contemporâneas de Escravidão, incluindo suas causas e consequências, cargo criado em maio de 2008. Ela é uma advogada armênia com longa experiência como consultora e especialista para vários órgãos da ONU, União Europeia, Conselho da Europa, Organização para a Segurança e Cooperação na Europa e órgãos de governo sobre os direitos da criança, gênero, migração e tráfico. Shahinian também é ex-administradora do Fundo Voluntário da ONU sobre Formas Contemporâneas de Escravidão.


Fonte: MAIS MULHERES NO PODER

Marina segue sem definição sobre candidato a vice

Coordenação da pré-campanha se reuniu nesta quinta e se reunirá na sexta.
PV discute agenda e programa enquanto aguarda resposta de empresário.
Do G1, em São Paulo

A coordenação da pré-campanha da senadora Marina Silva (PV-AC) à Presidência da República se reúne novamente nesta sexta-feira (14) para discutir temas relacionados à candidatura como agenda e programa de governo e para avaliar o quadro nos estados. Os assuntos também foram debatidos nesta quinta (13).

Marina Silva em palestra em universidade de Curitiba (Foto: Divulgação)
Enquanto isso, o partido aguarda resposta do empresário Guilherme Leal, da Natura, convidado para ser o candidato a vice-presidente na chapa com a senadora.

Segundo a assessoria de imprensa da pré-campanha de Marina, ainda não houve definição sobre a vaga de vice. A assessoria destacou que a reunião não trata do assunto e que isso depende apenas da resposta de Leal. O empresário, aliás, participa da coordenação da pré-campanha.

O PV está sob a expectativa do lançamento de Marina Silva na disputa ao Palácio do Planalto. O partido realizará uma pré-convenção em Nova Iguaçu (RJ) no domingo (16). A necessidade de definição do vice ganhou contorno mais forte com as declarações do vereador Alfredo Sirkis, coordenador da pré-campanha. Em seu blog, Sirkis afirmou que a oficialização do nome de Leal como candidato a vice é aguardada para o evento no domingo e que isso depende apenas de um "ok final".

"O partido já decidiu que o candidato a vice é ele. Só falta ele dizer que sim", disse Sirkis ao G1. Questionado se o nome do empresário será anunciado oficialmente no domingo ele disse que "gostaria de poder fazer isso".

Marina não terá compromissos públicos até o domingo, segundo sua assessoria. Até lá, ela deve cumprir "agenda interna do partido".
Fonte: G1 GLOBO

Evento discute gestão de políticas para mulheres e igualdade racial

Entre os dias 10 e 12/05, Brasília sediou o Seminário e Oficina “Identificação e Abordagem do Racismo e do Sexismo Institucionais”. O evento reuniu gestores e especialistas em políticas públicas de gênero e raça dos 27 estados e capitais brasileiras, além de funcionários do Sistema das Nações Unidas.


O seminário integra uma das linhas estratégicas do Programa Interagencial de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia para transparência e inovação da gestão pública e aperfeiçoamento da transversalidade de gênero, raça e etnia nas políticas, programas e serviços públicos. No Brasil, essa é uma iniciativa pioneira que reúne órgãos do governo federal, como a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), além de equipes técnicas de seis agências das Nações Unidas: Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), ONU-HABITAT, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A importância da discussão dos temas racismo e sexismo institucionais nas esferas governamentais são marcos essenciais da Política para as Mulheres e da Política de Promoção da Igualdade Racial. Por isso, no encontro, foram discutidas a identificação e a abordagem do racismo e do sexismo institucionais na administração pública, no processo de gestão das políticas públicas e as oportunidades para interface das dimensões de gênero e raça. O objetivo é a ampliação de habilidades de tomadores e tomadoras de decisão, contribuindo para que as políticas públicas atendam mais adequadamente às necessidades da população, e redução das desigualdades raciais e de gênero considerando a diversidade entre as mulheres nas regiões do país, nos estados e municípios.

O encontro também definiu uma agenda de ações integradas de gênero e raça, para potencializar os resultados dos Planos Nacionais de Políticas para as Mulheres (PNPM) e de Promoção da Igualdade Racial (PLANAPIR) na esfera estadual. No cenário internacional, o Brasil é referência na institucionalização de organismos governamentais de políticas para as mulheres e igualdade racial, criando oportunidades para a concretização dos direitos humanos das mulheres e das populações negra e indígena.

Na solenidade de abertura, o coordenador residente das Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek, destacou o contexto de desigualdade brasileiro baseado na cor, sexo e etnia. “São as desigualdades que determinam as oportunidades e o futuro das crianças brasileiras”, ao reafirmar o compromisso da ONU com o Estado brasileiro na superação das disparidades de gênero, raça e etnia. O ministro da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Eloi Ferreira de Araújo, apontou o impacto das discriminações de gênero e raça na vida das mulheres negras, e a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), Nilcéa Freire, citou os desafios de construção de políticas para mulheres, o aprendizado para gestoras e as alianças com a sociedade civil. Afirmou que “os movimentos sociais são mais que parceiros, têm sido propositores de políticas e projetos e a consciência crítica permanente”.
A ministra mencionou o processo de construção do primeiro e do segundo Planos Nacionais de Políticas para as Mulheres e a crescente organização das mulheres negras e mulheres indígenas. “Colocamos o racismo no plano, mas isso não significa saber de fato como enfrentar o racismo e o sexismo. Não basta estabelecer políticas com esse recorte. Precisamos reconhecer que racismo e sexismo são expressões ideológicas. Não será por decreto que estas questões serão superadas, e sim através da atuação de cada cidadã e cidadão e da sua disputa na sociedade”.

Diante desse esforço conjunto de diversas instituições nacionais e internacionais, foram abertas, esta semana, as inscrições para o curso gratuito de formação em “Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça”, que será desenvolvido por 18 universidades federais das cinco regiões do País dirigido a pessoas com Ensino Médio e Superior.

O objetivo é formar 6.700 gestoras e gestores para a condução das políticas públicas de gênero e raça. A iniciativa é resultado da parceria entre Ministério da Educação, SPM, Seppir, UNIFEM Brasil e Cone Sul, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CLAM/UERJ).

O público-alvo é formado por servidoras e servidores dos três níveis da administração pública, integrantes dos Conselhos de Direitos da Mulher, dos Fóruns Intergovernamentais de Promoção da Igualdade Racial, dos Conselhos de Educação, gestores e gestoras das áreas de educação, saúde, trabalho, segurança e planejamento e dirigentes de organismos não governamentais ligados à temática de gênero e da igualdade etnicorracial.

A formação em gestão de políticas de gênero e raça é uma oportunidade para instrumentalizar gestores, interessados a ingressar na carreira de administração pública ou lideranças de ONGs para intervenção no processo de concepção, elaboração, implementação, monitoramento e avaliação dos programas e ações de forma a assegurar a transversalidade e a intersetorialidade de gênero e raça nas políticas públicas.

O curso utiliza a plataforma da Universidade Aberta do Brasil, composto por um sistema integrado de universidades públicas através da metodologia da educação à distância com uso de ferramentas de aprendizagem e conteúdo ministrados pela internet. Estão programados de dois a três encontros presenciais, e são duas as modalidades de participação: Aperfeiçoamento, com carga horária total de 300 horas, para profissionais de nível médio; e Especialização, com carga total de 380 horas, para profissionais de nível superior. Para a modalidade Especialização, ao final do curso, deverá ser apresentado um trabalho de conclusão de curso (TCC).

Os conteúdos estão divididos em seis módulos: Políticas Públicas e Promoção da Igualdade; Políticas Públicas e Gênero; Políticas Públicas e Raça; Estado e Sociedade e Gestão Pública. A coordenação e a definição de conteúdos são compartilhadas por pesquisadoras e pesquisadores de gênero e raça, entre os quais estão ativistas de mulheres, feministas e movimentos negro e de mulheres negras.

Lista das universidades proponentes do Curso de Formação em Gestão de Políticas em Gênero e Raça

Programa e conteúdo do Curso de Formação em Gestão de Políticas em Gênero e Raça

 Fonte: Site www.maismulheresnopoderbrasil.com.br

quinta-feira, 13 de maio de 2010

13 de maio: abolição inacabada, artigo de Willian Luiz da Conceição

Por racismoambiental, 13/05/2010 06:34




[Correio da Cidadania] – Neste ano completamos 122 anos de lei Áurea que aboliu a escravidão no Brasil. Este processo foi lento, limitado, gradual e deve ainda hoje ser problematizado, pois não garantiu aos negros uma condição de dignidade em um país estruturalmente desigual.

A Lei Áurea (Lei Imperial n.º 3.353), sancionada em 13 de maio de 1888 foi a ultima de várias que a precederam, como a Lei Eusébio de Queiros de 1850, Lei do Ventre Livre de 1871 e a Lei do Sexagenário de 1885. Com o fim do tráfico negreiro em 1850, entramos em um processo quase que inevitável de fim do trabalho escravo no país (que culminou na abolição), influenciado em grande escala por pressão internacional, pelas milhares de revoltas escravas, quilombos e mais tarde por grupos abolicionistas.



Esta transformação no cenário internacional, em que o Brasil foi o ultimo país a se inserir, é parte das modificações econômicas dos países “independentes”, da busca de fortalecimento dos mercados internos e da abolição de formas pré-capitalistas de economia, que só poderiam ser levadas a cabo pelo ‘trabalho livre’. A escravidão no Brasil foi a base da estruturação econômica e de acúmulo primitivo de capital capaz de desenvolver mais tarde a economia industrial.

Foi o escravo negro, a massa substancial da força de trabalho durante aproximadamente quatro séculos, capaz de acumular as riquezas para construirmos um país. Foram milhões de africanos sequestrados em todas as partes da África, de Moçambique, passando pelo Congo, Nigéria, Guiné, Sudão, Angola, entre outras, que formaram este contingente humano.

Após a abolição, pouco foi revisto da condição dos afro-descendentes, continuamos a ser a parte miserável da sociedade brasileira, lançados na marginalidade, sem trabalho digno, educação, infraestrutura. Coube ao negro ocupar as periferias dos grandes centros urbanos. Não é por acaso, que os locais mais afetados pelas catástrofes que varreram o Rio de Janeiro neste ano foram locais onde a maior parte de seus habitantes são negros, como o Morro do Bumba em Niterói, construído em cima de um lixão. A abolição foi incapaz de integrar e estruturar o negro na sociedade. O negro no Brasil, de capitalismo dependente, acarretou duplo preconceito e segregação: de classe e de raça.

A imagem construída do negro nas ciências sociais, na literatura e nas artes, por séculos nos transformou e concedeu-nos o estereótipo de exótico, feio, marginal, patológico e parte inferior da população. Assim negando o negro como pessoa humana e sujeito histórico que construiu comunidades alternativas ao sistema econômico da sociedade colonial escravista, como Palmares e outros quilombos que ficaram na história, e as que ainda resistem.

O Brasil mestiço e multi-étnico, que ronda nosso imaginário, tem por trás o maior exemplo das diversas formas de preconceito e de segregação que podem existir. Na obra do espanhol Modesto Brocos, intitulada ‘Redenção de Cã’, é retratada a salvação dos descendentes de Cã, filho mais jovem de Noé. Cã é pai do servo Canaã, “que seria a origem dos camitas e dos demais povos da raça negra, todos destinados à servidão, segundo visões largamente difundidas à época”.

Este quadro representa a forma que esses povos utilizaram para alcançar o perdão e quebrar a maldição de serem negros – a mestiçagem. A teoria do intercruzamento entre brancos e negros levaria a um branqueamento da população, onde os negros já não existiriam. Este foi o discurso muitas vezes apresentados pela elite brasileira a nível internacional, expondo o grande exemplo brasileiro de democracia racial. Com essa teoria, no século XIX acreditavam que em 2010 já não existiriam negros sobre o solo brasileiro. Seríamos mestiços e com contato mais acentuado com europeus chegaríamos ao branqueamento. Infelizmente, para muitos, isso não ocorreu.

Isso tudo para que possamos avaliar criticamente o processo de libertação dos escravos e a situação de seus descendentes. Quais as verdadeiras mudanças que ocorreram na sua condição estrutural nestes muitos anos? E por que são a maioria dos negros, homens, mulheres e crianças com os piores trabalhos, pior acesso a educação, a saúde, a moradia digna e segurança?
Está realidade leva-nos a acreditar que a abolição foi insuficiente e inacabada, forçando-nos a continuar lutando por nossos direitos.

Willian Luiz da Conceição é acadêmico de História, militante e pesquisador da temática de afro-descendência. ligaspartakus{at}gmail.com

Artigo originalmente publicado no Correio da Cidadania, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

http://www.ecodebate.com.br/2010/05/13/13-de-maio-abolicao-inacabada-artigo-de-willian-luiz-da-conceicao/