Beto Silva
Do Diário do Grande ABC
O PV de São Bernardo quer aproveitar o ‘efeito Marina Silva'' para obter mais espaço, se fortalecer e ter participação ativa nos rumos administrativos da cidade. Assim, apesar de o prefeito Luiz Marinho (PT) colocar como certa a repetição da coligação que venceu o pleito municipal em 2008, com atuação dos verdes, o petista deve ter dificuldades para concretização a aliança para sua reeleição, no ano que vem.
"Nós apoiamos a gestão, temos esse compromisso. Mas não temos de estar juntos a vida toda. Temos condições de abrir negociação para ver o que é melhor para o partido. E se não tivermos espaço para o tamanho do nosso projeto, quem sabe podemos ter até uma mulher candidata a prefeita", enfatiza a presidente municipal do PV, Vera Motta.
A dirigente cita o desempenho, na cidade, da ex-senadora Marina Silva na candidatura a presidente no ano passado. Na ocasião a verde recebeu 88.799 votos no município, ou 19,91% dos sufrágios válidos. O montante também equivale a 45,5% dos 194.966 votos conquistados por Luiz Marinho no primeiro turno de 2008 e a 58,5% dos apoios recebidos pelo segundo colocado na primeira etapa daquele pleito, Orlando Morando (PSDB).
"Após a eleição presidencial, tivemos um boom de filiação. Crescemos de 30% a 40%. São pessoas que querem construir, uma juventude que não fazia parte da política. É a nossa chance de fazer a diferença", salienta Vera Motta. "Não tínhamos dinheiro, mas usamos a criatividade. Fizemos as Casas de Marina e trabalhamos bem a internet", completa a verde, sobre a performance da presidenciável na cidade.
Apesar de a legenda ter acordo para o mandato 2009-2012 e, inclusive, estar inclusa no governo com a Secretaria de Meio Ambiente (Giba Marson), a presidente faz análise crítica sobre a administração Marinho. "Tem avançado em projetos na periferia, o que é bom. Mas tem muita coisa a se fazer. Os próximos dois anos são de execução", diz Vera Motta. "É preciso investir também em retirada de imóveis de área de proteção ambiental. Mas não participamos das discussões para essas propostas", frisa a vice-presidente do PV, Vera Rotondo.
ORIENTAÇÃO
Outro incentivo para a ambição de crescimento do partido é a orientação das executivas nacional e estadual para lançar candidatura majoritária em municípios com mais de 500 mil habitantes, que é o caso de São Bernardo.
Para ancorar a pretensão, a legenda já está preparando o terreno para enfrentar a corrida pelo Legislativo. Dependendo das mudanças que serão impostas pelo Congresso na campanha, em decorrência da reforma política que está em curso, a sigla pretende fazer de um a três vereadores. "As pessoas que têm trabalhado internamente começam a postular vagas mais vistosas, de mandato, por exemplo. A gente sempre colocou o logotipo do PV à frente do rosto, mas temos de mostrar a nossa cara", explica. Os candidatos serão separados de acordo com a bacia hidrográfica da cidade. "Há rios encanados, sob a terra. Mas eles aparecem quando chove", cutuca Vera Motta.
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